A Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), lançou um novo edital para compra e venda de sementes da palmeira-juçara (Euterpe edulis). O valor pago pelo quilo das sementes foi ampliado em 23% em relação a 2025, chegando a R$ 15, quase o dobro do preço inicial do programa, em 2021.
Desde o início da iniciativa, cerca de 90 toneladas de sementes já foram dispersadas em Unidades de Conservação, contribuindo para o repovoamento de aproximadamente 1,8 mil hectares de Mata Atlântica. Essa área equivale a quase 2,5 mil campos de futebol, evidenciando o impacto positivo da política pública.
“O aumento do valor pago pelas sementes é um reconhecimento direto ao trabalho das famílias que atuam na conservação da juçara. Estamos fortalecendo uma cadeia produtiva sustentável que alia geração de renda e recuperação ambiental”, afirma Victoria Karvelis, diretora da Fundação Florestal.
O programa funciona com a aquisição das sementes coletadas por famílias credenciadas, que são posteriormente dispersadas por via aérea em Unidades de Conservação, como parques estaduais e estações ecológicas. Essa estratégia amplia o alcance da restauração em áreas protegidas.
Além de promover a recomposição da floresta, a iniciativa cria uma alternativa econômica sustentável para as comunidades locais. Os participantes comercializam as sementes obtidas durante o manejo do fruto da juçara, agregando valor à atividade e reduzindo a pressão sobre a exploração irregular da espécie.
“O programa mostra que é possível conservar a floresta gerando oportunidades para quem vive nela. A juçara tem papel estratégico na regeneração da Mata Atlântica, e os resultados comprovam a efetividade dessa política”, destaca Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal.
Até o momento, cerca de 350 famílias foram beneficiadas pela iniciativa, promovendo inclusão produtiva e fortalecendo as economias locais nas regiões de atuação do programa.
Os dados de monitoramento ambiental indicam alta efetividade da restauração: 87,7% dos indivíduos registrados nas áreas amostradas permanecem vivos e em desenvolvimento, demonstrando o sucesso da estratégia adotada.
Com o novo edital, a Fundação Florestal amplia o alcance do programa e reforça seu compromisso com a conservação da Mata Atlântica e o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no estado de São Paulo.
O programa integra um conjunto maior de iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) no estado, que atualmente conta com 61 grupos em operação, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias.
Entre os destaques dos PSAs em São Paulo estão o PSA Mar Sem Lixo, PSA Juçara, PSA Guardiões das Florestas e PSA Refloresta, que atuam em conservação, restauração produtiva e manejo sustentável.
O governo paulista é líder nacional em número de PSAs, consolidando-se como referência em políticas públicas que unem proteção ambiental e desenvolvimento socioeconômico.
A Fundação Florestal disponibiliza mais informações sobre o edital e formas de participação em seu site oficial, incentivando a adesão de novas famílias e comunidades ao programa.
Essa iniciativa representa um modelo de sucesso que alia recuperação ambiental à geração de renda, promovendo a sustentabilidade e a valorização das comunidades tradicionais.
Com o fortalecimento da cadeia produtiva da juçara, o estado de São Paulo avança na proteção da Mata Atlântica, uma das florestas mais ameaçadas do Brasil.
A continuidade e ampliação do programa são fundamentais para garantir a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável das regiões beneficiadas.