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SOS Agro RS pede socorro após enchentes
Movimento gaúcho reúne milhares de produtores e cobra soluções urgentes do governo para dívidas e saúde mental no campo
Por Redação Portal na Hora
Publicado em 31/01/2026 11:16 • Atualizado 31/01/2026 11:17
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O movimento SOS Agro RS nasceu em maio de 2024, após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. Criado por Graziele de Camargo e Eder Faccin, o grupo surgiu da necessidade de unir agricultores em busca de apoio. “Perdemos tudo na enchente e precisávamos nos organizar para não ficar sozinhos”, relembra Graziele.

Em poucas semanas, o SOS Agro RS já reunia mais de oito mil produtores em grupos de WhatsApp. O objetivo inicial era apoiar o pleito da Farsul, que solicitava ao governo federal uma linha de crédito especial para renegociar dívidas. “Era uma questão de sobrevivência, não de privilégio”, afirma Faccin.

As manifestações ganharam força ao longo de 2024. Em Cachoeira do Sul, cinco mil produtores foram às ruas. Em Rio Pardo, o ato reuniu doze mil pessoas. Em Porto Alegre, o maior tratoraço da capital levou 330 máquinas às avenidas. “Foi um grito coletivo para mostrar que o campo não podia esperar”, diz Graziele.

O movimento também marcou presença na Expointer com uma manifestação silenciosa. Até o fim de 2024, o SOS Agro RS ajudou mais de 187 mil produtores a renegociar dívidas. “Cada renegociação significava uma família respirando aliviada”, destaca a coordenadora.

Apesar dos avanços, o drama humano se intensificou. Em julho de 2024, o grupo tomou conhecimento do primeiro suicídio ligado às dívidas. Desde então, já são cerca de 40 casos. “É a face mais dolorosa da crise: vidas ceifadas pelo desespero”, lamenta Graziele.

O SOS Agro RS participou de 27 audiências públicas em Brasília, levando dados e relatos ao governo. “Existe escuta, mas falta ação na velocidade que o problema exige”, critica a liderança. O movimento defende securitização das dívidas, prorrogação de financiamentos e linhas emergenciais com juros compatíveis.

Além da pauta econômica, a saúde mental tornou-se prioridade. O grupo promove ações de acolhimento e conscientização. “Nenhuma dívida vale mais do que uma vida”, reforça Graziele. Para os produtores, a mensagem é clara: pedir ajuda é coragem.

Para a sociedade urbana, o recado é de empatia e responsabilidade. “Quando o agro sofre, toda a sociedade sente”, afirma a coordenadora. O movimento insiste que apoiar o produtor rural é investir no futuro do país e na segurança alimentar de todos.

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